Escrevendo on the beach

Escrevendo... Lançando na tela o que em mim lateja. E a cada amanhecer me dá um soco.

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Nome: Mahína
Local: Brazil

Adoro poesia. Procuro o fato. Persigo a essência das pessoas. E não gosto de silêncio: ele me distrai.

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30.1.07

"É o sol brilhando na chuva, e chuva caindo no meio de sol, e coisas brotando e trabalhando debaixo da terra."




Todas as borboletas já se recolheram a seus sonos de lagarta
O verde já se fez marrom
Várias ervas daninhas tomaram conta da terra
Aquele ninho de azulões já se desfez

A chave estava numa gaveta pequena demais
Aquela mesma gaveta que eu pedi que desemperrassem
Eu te disse.

Abra a janela
sem medo de que uma mariposa faça de sua cortina nova morada
Saia correndo
antes que a gangorra caia corroída pelo tempo
Sinta o vento... como se o universo inteiro estivesse em sua garganta.

A manhã tem um recado pra você: descubra-se
antes que a chave de seu jardim secreto se perca

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Quando encontrei o DVD de "O jardim secreto" perdido, sozinho e abandonado numa prateleira... Levei pra casa! Assisti assim que cheguei! E como é bom recordar a época em que o vi pela primeira vez. Criança ainda, sentia-me como Mary Lennox, a garotinha emburrada.


O Jardim Secreto
(Secret Garden, The, 1993)
» Direção: Agnieszka Holland
» Roteiro: ?
» Gênero: Drama
» Origem: Estados Unidos/Reino Unido
» Duração: 101 minutos
» Tipo: Longa

Claro que meus motivos eram bem mais amenos. Mas vê-la desabrochar um sorriso junto com as flores da primavera... Uma petulãncia admirável a dessa menina! Pena que a atriz, Kate Marbely, sumiu. Um filme que farei questão de que meus filhos assistam.

26.1.07

Você é o que você escreve.

Se estiver com saudade de alguém, ver fotos não vão adiantar.
Releia o que ela escreveu.
Mas falo de saudades de alguém que conheceu
e não de alguém que simplesmente conviveu com você.
Ao reler seus pensamentos
recordará o que se passava em sua cabeça naquele momento
lembrará que ela tinha aquele jeito de mexer as mãos
um tique nervoso quando pensava no que ia dizer...

Poderá até fingir que o que ela escreveu foi pra você. Perfeitamente.
A saudade de uma pessoa é uma ferramenta poderosa.
Pode ser usada contra ou a favor da pessoa em questão.
Depende do que selecionamos recordar.
Quer lembrar de como ela não ouve o que diz quando comenta sobre seus amigos?
Ou prefere lembrar das vezes que ela foi até a sua casa pra fazer você parar de chorar?
Dá até pra sentir saudades do que não aconteceu...
Do que podia ter acontecido e só acontece na sua cabeça...
quando você lê o que ele escreveu.

***
Isso eu escrevi em 2004. Vale ainda.

18.1.07

Tá difícil isso aqui viu

Isso aqui de sair por aí achando que só porque um espermatozóide venceu a corrida e penetrou num óvulo você é especial. E se a vida não tiver graça e nem fundamento algum? E ela já não foi feita pra ser assim mesmo: uma eterna busca por qualquer coisa? E só. E de repente a vida é apenas um intervalo entre dois atos, uma pausa para o cafezinho, uma sesta.


E na verdade, o que valia mesmo a pena era ficar boiando no líquido uterino... sugar as coisas pelo umbigo, viver de olhos fechados, imerso em si mesmo. Pensar no nada, nos anjos, no segredo da vida, no morno, dormir um sono bom e sentir-se protegido sem saber exatamente pelo quê.


E na verdade o que está por vir são aplausos ou vaias. A reação do público que assistiu sentadinho e quietinho a toda a sua vida. E que anotou os detalhes atrás das orelhas do seu pai, nas folhas da samambaia que ficavam na sala da sua casa, por dentro das lâmpadas dos lugares que freqüentou, debaixo do seu peso de papel, nos olhos do garoto a quem você nunca deu atenção. Nesses lugares que sempre estiveram aí, mas os quais você nunca quis perceber.


Seus olhos vão estar pequenininhos quando a reação desse público vier. Pequenininhos, como que inchados de tanto chorar... Sim, porque abrimos o berreiro pra nascer e não seria diferente nessa outra “passagem”. Só que agora não choramos com a boca escancarada. Choramos aos poucos, aos soluços, sentindo todo o peso da nossa vida vivida. E através da fresta de seus olhos você vê uma cortina vermelha felpuda e grossa, que se abre como se fosse sangue depois que levamos uma surra. Um nó de escoteiro se dá bem no meio do seu esôfago e o ar lhe falta. E nada é muito claro através de seus olhos inchados. Como se várias borboletas borboleteassem muito vermelhas em meio a vaga-lumes muito fluorescentes numa balada techno. Uma vontade de beber perfume até arrotar anjos. E nessa psicodelia nada se distingue. Só a vontade de viver tudo de novo...

13.1.07

Abertura Casino Royale: Phoda. Com PH.

Mahina fã de um filme de ação? Sim, é verdade. Aconteceu. Esse me conquistou. A melhor cena de morte e de ataque cardíaco. Se alguem achar uma das duas no youtube me conta. Preciso ver de novo aquela mulher na gaiola!

11.1.07

Lição de vida: verifique o endereço

Ela ligou antes de aparecer. Tinha vergonha? Fingia uma timidez, quem sabe?
- Estou chegando. Qual o número do apartamento?
- 102. - disse eu.
O que será que ela queria com aquele joguinho? Eu já havia lhe dito o meu endereço. Será que esqueceu? Toca a campainha. Coloco minha taça de uísque na mesa. Pego de novo. Atendo a porta.
- Oi, tudo bom? Como vai o senhor? Obrigada por me receber!
Ela tinha um ar juvenil um pouco irritante. Menor do que eu imagiava, um metro e sessenta mais ou menos. Muito magra. Magra demais, não poderia imaginar do que ela se alimentava. Alpiste?
- O senhor me desculpe pelo atraso mas é que eu me confundi no endereço.
- Tudo bem. Pode ir arrumando o material que eu vou lá dentro.
Nem me dei ao trabalho de dizer o que faria lá dentro. Ia pensar, ora bolas. Aquela menina não estava me agradando. Mas... na minha idade é o que se tem.
- Quer uma bebida?
- Não...
Essa resposta foi meio que ofendida. Não bebia a biscatezinha?
- Senhor, eu...
- Você é diferente.
- Diferente de quê? - ela parecia mesmo confusa.
- Do jornal. Do anúncio.- disse a ela como um professor que explica pela terceira vez.
Silêncio.
- Senhor Valério, acho que está havendo um engano aqui.- ela disse com seu ar juvenil novamente.
- Valério? Mas meu nome não é esse.
A menina se levantou como que impulsionada por uma mola. Pediu desculpas umas sete vezes, abriu a porta e descambou pelas escadas. Gente doida. Será que era a primeira vez?

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- Alô Sr Valério?
- Sim.
- Aqui é Mirtes eu trabalho no Jornal da cidade e gostaria de conversar com o senhor sobre o mercado musical da cidade, pode ser?
- Hoje?
- Se o senhor puder.
- As cinco esta bom?
- As cinco. Qual o endereço?
- É aqui na pracinha, na esquina, um prédio de varandinhas azuis.
- Até daqui a pouco entao!
- Ate.