Escrevendo on the beach

Escrevendo... Lançando na tela o que em mim lateja. E a cada amanhecer me dá um soco.

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Nome: Mahína
Local: Brazil

Adoro poesia. Procuro o fato. Persigo a essência das pessoas. E não gosto de silêncio: ele me distrai.

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30.6.08

Poesia Visual parte III - por Mahina Fava

Essa história eu comecei lá nos primórdios deste blog. E a hora foi de visitar esses primeiros posts. Eles me parecem melhores com o tempo!

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"Cores brotam no horizonte
pairo imóvel, vertical
aventura é ir mais longe
é não ter limites para meu natural"











"Só um pouco mais
um pouco mais de tempo com você


Te afirmo que o momento seguinte não vai ser igual a este
e isso eu não quero perder".








"Parece simples o que vou dizer
mas mesmo assim te digo, meu amor
sem medo do que possa parecer:

Todo mundo sente dor".




"Diga pra mim, meu filho:

qual era o seu sonho?

Em que esquina ele se perdeu?

Em nome de quê você se esqueceu?

Este é o seu próximo passo: descubra onde ele está

e traga-o de volta".

27.6.08

Vaidade e solidão



Martha Kill era dona dos curtumes do Vale dos Moinhos, os mais rentáveis antes da polêmica de poluição das águas. Ela nos recebe no quarto de sua casa, onde está em uma cama por problemas de saúde.

Martha Kill, outrora Martha Hansen, nasceu num rancho ao Norte da Noruega. Sua família vivia de fazer pequenos cestos trançados que vendia à tarde na feira da vila. A menina Martha era muito habilidosa nessa tarefa, que a entretia bastante. Mas o que ninguém sabia eram os pensamentos que povoavam sua cabecinha pequena enquanto trançava as tramas de palha. "Eu sempre tive a ambição de tornar-me algo mais que uma artesã, morar em algo mais que uma pequena casa, comer algo mais que os grãos e o leite produzidos ali mesmo", diz Martha.

Sempre que visitava a vila para vender os cestos, Martha observava com atenção e curiosidade as mulheres que ali passavam do alto de seus sapatos de couro, chapéus com fitas de cetim e sombrinhas de babados mil. Tudo aquilo exercia em Martha uma atração que a deixava paralisada. "É isso", repetia ela, baixinho. "Eu sempre repetia isso quando tinha certeza de algo. Às vezes me pego fazendo isso até hoje", relembra ela.

Já com seus quinze anos, era chegada a hora de se casar. E Martha não só tinha a plena consciência disso como também já escolhera seu pretendente: o homem mais rico da província encontrava-se agora debilitado fisicamente e resolvera instalar-se ali, naquela pequena vila. Sr. Kill era dono dos curtumes do Vale dos moinhos, e geria seus negócios com sucesso apesar de suas limitações físicas. Não se sabe ao certo de que truques e tramas Martha utilizara, mas conseguira convencer seu pai e o rico senhor Kill a "fechar o negócio". "Eu entendo de tramas e tranças desde muito cedo, minha filha. Mas não vou lhe brindar com detalhes não", diz Martha, misteriosa.

Casada, planejava agora ter filhos. Após anos de tentativas frustradas, conformara-se: em seu corpo nada nasceria. O Sr Kill já não se conformava. Logo viria a falecer e queria um herdeiro. A qualquer preço. Engravidou então a empregada da casa, ao que Martha assumiria a maternidade: "é isso". "A empregada era uma mudinha, apenas concordava com a cabeça. E não via melhor futuro para a filha, coitada. A Katharina então fiocu comigo". Katharina Kill trouxe então a Martha a tranquilidade da garantia de seu casamento.

Com a filha crescendo, era hora de cuidar de seu futuro. A tradicional família Stockmann era a escolha certa. Com um futuro promissor estava Peter Stockmann, que havia estudado direito na capital e retornara a pouco. "Peter era obstinado e ambicioso. E eu estava certa de que teria um futuro brilhante, como decerto teve. Virou o prefeito de nossa cidade não!". Mas desta vez os planos de Martha não sairam como o esperado. O Sr Kill já havia acertado tudo com a família Stockmann, mas com o outro filho: Thomas, que estudara medicina na capital. Para Martha ele não passava de um cientista sem maiores ambições. "Fazendo consultas gratuitas e longas expedições a lugares ermos da Noruega não se consegue nada na vida, você há de concordar comigo". Mas, assim se fez.

Com a morte do Sr Kill, Martha assumiu o controle dos curtumes do Vale dos Moinhos. E, apesar de não aprovar o casamento da filha, ficara muito feliz com o nascimento de sua primeira neta, Petra. Decidira então antecipar um testamento deixando tudo à neta, só assim garantiria seu futuro, já que o médico tinha lucros inconstantes. "É um inconsequente, esse meu genro. Tão idealista que se esquece de cuidar da realidade", resmugava Martha enquanto eu escrevia.

A inconsequência do Doutor se revelou clara para a Sra Kil quando ele acusa seus curtumes de serem os responsáveis pela contaminação nas águas da cidade. "Assim ele acabava por jogar por terra o futuro de sua família, já que tudo estava destinado a eles...", explica a Sra Martha. O desfecho foi trágico. Martha Kill comprou as ações, ameaçou o genro e colaborou para sua expulsão da cidade. "O que você queria que eu fizesse? Ele estava arruinando a minha família! Precisava esfregar a realidade na cara dele. Foi uma tentativa que eu precisava fazer". Por uns segundos Martha pareceu emocionada, com o olhar parado e fixo. Mas passou rápido.

Sra Martha Kill tem hoje 89 anos. Passados 20 anos, parece contar a história de sua vida como se fosse um filme a que assistiu no último fim de semana. "Se não morri ainda foi de desgosto. Eu só concordei com você em publicar tudo isso porque daqui a pouco não vou estar mais aqui e tudo isso se perderia. Pode escrever tudo, minha filha, essa história é um prato cheio pra vocês, jornalistas", diz Martha enquanto ganha uma farta colherada de mingau da enfermeira. "É isso aqui que eu como minha filha, essa meleca sem gosto. Pode escrever aí: comida boa pra gente velha é artigo em falta no mercado".

Na hora da foto, Martha se levanta. "Espera aí, mocinha, vou te dar uma foto bonita pra você colocar no seu jornal". Explico ela que trata-se de um blog, e não de um jornal, mas não adianta. Explico também que preciso de uma foto atual, e tenho a mesma frustração. "Você quer acabar comigo de vez não é? Já estou te recebendo, contando tudo, e você ainda quer colocar minha cara feia no seu jornal? Ora, me poupe. Tome esta".

E assim terminou minha visita à Sra Martha Kill. Perseguida pelos fantasmas do passado, firme em sua vaidade e persistente em viver.

Por Mahina Fava.
***
Martha Kill é minha personagem em "Inimigo do povo", da Cia Teatral Caravela das Artes.
Em cartaz aos sábados e domingos, até 6 de julho na Casa de Cultura, às 20h30.
Elenco:
Fernanda Bastos, Rafael Costa, Jackson Leocádio, Álvaro Dyogo, Ísis Zisels, Thiago Berzoini, Lívia Kodato, Mahina Fava, Letícia Amorim, Thiago Schaeffer, Marcelo de Assis, Marcela Pires, Mariana Galdino. Atriz convidada: Nathália Lãoturco.

18.6.08

Folhado



Gosto de livros de biblioteca.

Trazem em si a experiência

de já terem sido folheados

e por tantos outros.


E um leitor lhe coloca na bolsa,

outro na pasta,
outro usa o livro como assento.

E outro lhe deixa na cozinha- bem em cima do fogão-

ou dentro do baú, esquecido.


Quantos atrasos na devolução,

que deixaram o pobre livro angustiado, na dúvida se voltaria à companhia dos outros livros

na estante da biblioteca.

****

Quando eu ainda estava aprendendo a ler e escrever achava a palavra "biblioteca" a mais difícil de todas. Sempre parava em frente a biblioteca do colégio, admirando a placa que dizia... BIBLIOTECA...

Confesso que até hoje paro uns segundos pra pensar antes de escrever.

BI - BLI - O - TE - CA... BLI - BI - O - TE -CA... ...hehehe...

Mas sempre gostei do cheiro. É, cheiro de biblioteca. Tenho essa coisa com cheiros. Quando voltei ao meu antigo grupo de teatro pela primeira vez desde que saí dele, foi a mesmo coisa. Reparei no cheiro. No cheiro do lugar, que ativa a memória e traz lembranças. E cheiro de biblioteca é como se... como se me fizesse lembrar de coisas que nem conheço.

Sentir cheiro de biblioteca é ter saudades de todas as coisas que ainda não conheço e que ainda não aprendi.

Um longo e tenebroso inverno...

"Ué, mas o inverno ainda não começou!"

É verdade. Mas a minha ausência se justifica um pouco assim: um inverno que passa.

Um tempo de pensar na vida, na carreira, no que fazer da vida e da carreira.


E que carreira é essa?







Atriz?










Talvez assessora de comunicação...





Editora de vídeos, então.




Faço tudo um pouco e fico pensando no que mais posso fazer.
Acredito que a gente tem que gostar do que faz e não fazer o que gosta.

E é sempre bom terminar o texto com uma frase charmosa.

"Quem não se comunica se trumbica!"