
E você, está num dia ruim? Meu dia ontem foi bem assim: todo ruim. Você tenta por um lado, tenta por outro, liga para aquela pessoa que te faria bem... e nada. Um não pode, outro não está, outro também está mal. O computador desliga sozinho, tudo trava, emperra, agarra. E você vai agarrando junto, num estado de desânimo arrebatador, daqueles que te faz desabar deitada na mesa de trabalho. Olhamos para o lado, bebemos uma água, ligamos para alguém. Tem dias que nada parece resolver. Mas de que vale passar um dia - veja bem, um dia, não o tempo todo! - assim? De alguma coisa vale. Para entendermos que a vida não é feita só de coisas boas. Que o desânimo e a tristeza servem, antes de mais nada, para valorizarmos o que há de bom.
E as coisas boas vêm? Ah, vem sim! Mas não adianta ficar de braços cruzados. As alegrias vêm depois de lutas e batalhas, contra a tristeza fácil que pega a gente pelo pé. Os bons momentos vêm das horas em que você tem que fazer uma baita força pra se levantar. Mas não vem rápido não, nem adianta espernear. Paciência.
E quando esse momento bom vier, agarre ele. Agarre mesmo, junto do peito, num abraço terno. Larga dele não. Fala bem alto que você tá curtindo! Porque esse momento bom... ele vai passar também.
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Aproveite bem o seu diaPor Adriano Silva – Revista ExameAí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim. Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido.
Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo.
Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim. Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje.
Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança.
No fundo, só existe o hoje...